O barro molhado taipando os galhos

Em algum lugar, 06 de novembro de 2023. 

Trago lembranças e mando notícias daqui…   

Agora, neste momento, são 23h08. Esta carta é uma lembrança que tal fotografia me trouxe. Ela foi feita na ocasião em que estive em um acampamento sem terra na cidade de União dos Palmares, em Alagoas. Fiz questão de destacar a hora que começo a escrever para refletir inclusive que o agora já é passado e ficou na memória.

Muitas são as lembranças que essa parede recém taipada me traz. Só que me atentarei a uma que foi vivida quando eu tinha por volta dos oito a nove anos de idade e versa para a construção de uma casa de taipa, ou, de pau a pique.

Meu pai me levou para o que hoje chamamos de mutirão para a construção da casa de um primo que ia se casar. Lembro que havia viajado para a Serra de Exu, que fica na cidade de Itaíba, Pernambuco, e uma pessoa, não lembro quem, chamou meu velho para ir visitar os primos e amigos no taipar de uma casa.

Não sabia o que isso significava, mas sabia que se tratava de uma casa de taipa, pois morava em uma. Isso era meados dos anos 1990. Meu pai me passou as orientações, pois como dizia o ditado, eu ‘era os pés do cão’ e ele já sabia que iria fazer traquinagem. Não lembro de muitas coisas, muito menos se me comportei ou aprontei.

Tenho fortes lembranças do local. Não lembro dos rostos, mas lembro havia muitas pessoas, bebidas, comida e dança. Lembro que havia uma dupla de repentista e um aboiador. Só a título de informação, sei de certeza que era uma aboiador, porque meu velho pai em momentos de descontração ouvia os aboios e as toadas em uma velha vitrola 3 em 1 da CCE.

Mas, lembro que algumas pessoas pisavam e dançavam no barro que era molhado. Lembro ainda que outras usavam aquele mesmo barro, aquela terra molhada para colocar entre as armações de galhos de árvores.

Claro que as lembranças são poucos, pois já se vão quase trinta anos desde o evento. Mesmo assim, ainda são vivas as lembranças que me aparecem como imagens. Se, à época, tivesse com o nível de entendimento que hoje tenho, confesso que teria feito anotações, mas não se pode exigir de uma criança que só queria ter a liberdade de brincar.

Me disperso com um registro deste apanhador de lembranças e costumes. Dona Zeza do Coco em homenagem a Ranilson França:

Até breve…

1 comentário Adicione o seu

  1. Avatar de José Hilton Ferreira José Hilton Ferreira disse:

    Muito bom. É um refresco para a memória! Parabéns.

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