
Cemitério Santa Terezinha, Correntes/Pe. 02 de novembro de 2023.
Trago lembranças e mando notícias daqui…
Cai a tarde em Correntes e aqui estou neste dia de Finados em uma pequena cidade no agreste de Pernambuco. Em várias ocasiões, vim a está terra com meu pai visitar meus avós e daqui guardo muitas lembranças como também muitas saudades.
– Continua do mesmo jeito de quando eu saí daqui para ir morar em Maceió.
Essa saída de Correntes foi no início de 1980. E esse comentário foi feito no momento de gatilho enquanto olhava para as mesmas casas da “rua” por onde ele havia passado.

Isso foi em julho de 2021. Meu pai Manoel Ferreira, o Xico e eu saímos de carro de Maceió e fomos visitar os meus tios no sítio São João, em Correntes. O que não esperávamos era que em um mês a Caetana o levaria pelas mãos. Só a título de informação, Caetana é o nome que Ariano Suassuna deu a morte. Se tiver interesse em ler um pouco sobre as lembranças dele, acesso aqui.
– Ali morava minha madrinha que era uma professora da escola.
Foi assim ao longo da nossa passagem pela cidade até chegar ao sítio. Muitas memórias e hoje fazer esse caminho é doloroso, porém necessário para que está ferida possa ser cicatrizada.

E aqui estou, em frente a casa grande dedicada a Santa Teresinha aproveitando para escrever esta carta. Isso, após um dia longo onde foi refeitos os mesmos caminhos que fiz em janeiro de 2018, quando na ocasião enterrei meu irmão, e, em agosto de 2021, quando enterrei o meu pai. Ambos estão no mesmo túmulo onde foram enterrados os meus avós, bisavós, tios e toda uma linhagem familiar paterna.

O dia de Finados é uma celebração católica que remete a ideia de relembrar aqueles que morreram. Uma tradição que minha família sempre teve como data certa para fazer uma visita aos túmulos dos nossos ancestrais e, principalmente, para acender uma vela, fora de casa, para o finado.
Lembro que quando garoto, ainda com meus sete a oito anos, nesta data, minha mãe nos dava uma vela e dizia:
– Vá ao quintal e acenda a vela para seus avós e reze para as almas deles.
Assim era feito. Eu ia com muita devoção e lá acendia uma vela para as almas dos meus parentes que haviam falecido.
Meu pai na sua devoção cristã católica não assistia televisão neste dia, quando diferente fazia era para assistir a programação em canais católicos. Era um dia santo como assim também o fazia na semana santa: não podia falar palavras raivosas ou de baixo calão, cortar o cabelo, reclamar ou fazer algo que ia de encontro a sua fé. Isso o vi fazer até os últimos dias de sua vida.
E está carta, ou melhor, rascunhos de saudades é um registro de um costume tradicional ainda vivido por famílias desta pequena e pacata cidade de Correntes.
Até a próxima carta…
